Estava no meu quarto praticando um dos meus passatempos favoritos: jogado na cama, braços pra trás da cabeça servindo de travesseiro, encarando o teto enquanto esperava a vida passar por mim da forma menos dolorosa possível. Antigamente, ao fazer isso, eu ficava me culpando pensando "puxa, eu poderia estar fazendo algo de útil." O problema é que a coisa de mais útil que eu sabia fazer era sanduíches, e a essa altura eu já tinha comido três e a Coca já havia acabado.
Mas bem, eu estou perdendo o ponto.
Estava no meu quarto, jogado na cama, encarando o teto, o que é bem legal de se fazer quando ele não encara você de volta, porque, afinal, isso seria estranho.
Bom, meu teto ESTAVA me encarando.
E, é, foi estranho.
A cara do meu teto tinha um nariz grande, o que em si já é bem incômodo, afinal não é o tipo de coisa que você espera em um teto. Em um teto você espera uma lâmpada, de preferência uma fluorescente, afinal consome menos e dura mais do que uma incandescente. Tudo bem que o preço pode até não ser tão atrativo, tem lâmpadas fluorescentes que podem chegar a custar oito vezes mais que uma incandescente. Você pode até dizer "o custo pode ser maior, mas se dura mais e consome menos, o benefício também é maior", mas você deve ter em mente que, em um ambiente onde você apaga e acende a lâmpada muitas vezes, a fluorescente não dura tanto tempo assim. A lâmpada do meu quarto é uma fluorescente, fica pendurada bem no meio do ventilador de teto - AH, outra coisa que você espera encontrar no teto de uma casa. O problema é que tanto a lâmpada quando o ventilador tinham sumido. Agora, só havia aquele enorme e bizarro nariz saindo do meio do meu teto.
Vocês já podem imaginar que, à essa altura, eu já estava um tanto preocupado - até chateado, eu diria, afinal era um dia particularmente quente.
Ok, minto.
Imagine você na minha situação, com um nariz de 2 metros acima da sua cabeça apontando pra você. Você não ficaria "um tanto preocupado", você não ficaria "chateado", e com certeza absoluta a coisa que menos preocuparia você naquele momento seria o ventilador que sumiu.
Eu queria gritar de um jeito que até as pessoas surdas de alguma pequena cidade do interior da China entendessem que havia um nariz bem no meio do meu forro. Eu queria chorar pois achava que o fim do mundo estava finalmente acontecendo. Eu queria que a minha sanidade tivesse o mínimo de consideração comigo e não me abandonasse justo naquela hora, porque o meu coração já tinha sido um filho da puta e escalado minha garganta, pronto pra dar no pé pela minha boca.
Nesses momentos, você procura agarrar com todas as forças o mínimo de calma que ainda possui - mesmo que tenha que revirar a sua alma atrás dela. Lembrei de tudo que já havia lido sobre meditação, situações de extremo perigo e afins, fechei os olhos e contei até três. Afinal, era tudo minha imaginação, então quando abrisse os olhos, ele não estaria mais lá.
Abri os olhos, e ele ainda continuava lá.
Encarei ele pelo que pareceram horas. A minha coordenação motora já tinha abandonado meu corpo há algum tempo, provavelmente agora estava tirando férias em alguma ilha do Pacífico, então eu me encontrava completamente imobilizado na cama. Nesse tempo, meu cérebro tentava encarar da melhor forma possível aquela situação e assimilar o fato de que havia uma estrutura nasal completa formada bem ali em cima de mim. Algumas vezes, ele considerou seriamente pedir demissão e passar o comando para o meu coração, que já andava de olho naquele cargo há algum tempo, mas este já estava tendo problemas suficientes se concentrando em continuar batendo; ou quem sabe pro meu estômago, mas ele já havia dado quatro nós em si mesmo e se escondido entre os pulmões, então estava exatamente em condições de assumir qualquer tipo de liderança.
Sentei na cama. Encostei os pés no chão. Um após o outro, fui seguindo meu caminho até as escadas. Desci as escadas. Abri a geladeira, peguei um copo d'água. Voltei para o quarto. Bebi a água, deixei o copo em cima do criado mudo e voltei a deitar, dessa vez virado para o lado pra não ter que encarar o nariz a noite inteira. Eu tinha tomado uma decisão: vou ignorar esse nariz.
Até este ponto no texto, ainda não descrevi o nariz. Bom, permitam-me: primeiro de tudo, era grande. Realmente grande. Tinha uma curvatura, meio torto, parecendo aqueles narizes de lordes ingleses narigudos. Sim, era definitivamente masculino (ah, que sorte a minha! Um nariz no meu teto e tinha que ser justo de um homem!). Além disso, era branco, meio rosado na ponta. As narinas eram redondas, dilatando e contraindo conforme o nariz respirava. Sim, ele respirava. Não sei se havia de fato um sistema respiratório completo, e, meu Deus, se houvesse eu não queria nem saber onde estaria o pulmão. Só sei que ele respirava do jeito que você esperaria que qualquer outro nariz perfeitamente sadio - e no rosto de alguém - respirasse. Quando inspirava, podia ouvir um leve silvo, diria até que típico de narizes de 2 metros de comprimento. Dependendo da posição, você também poderia ver os cabelos de nariz mexendo conforme a direção do ar. Sim, era um nariz perfeitamente normal, não fosse o fato de não possuir um corpo que o acompanhasse.
Algum tipo de fungo, talvez? Só Deus sabe.
Os raios de sol que sempre entravam pela abertura em minha janela para me encontrar ferrado no sono devem ter tido uma surpresa ao encontrar um Lucas que acabara de virar a noite virando de um lado para o outro na cama. Tentei dormir de todas as posições e lados, contei todas as ovelhas que haviam em minha fazenda imaginária até sobrarem apenas vaquinhas, então eu contei as vaquinhas também. E quando as vaquinhas acabaram, contei os hipogrifos. Você deve se perguntar o que hipogrifos estariam fazendo em uma fazenda, mas acho que isso é o de menos em uma situação dessas, certo?
Minha mãe bate na porta. Levanto da cama e vou até a porta. Entreabro ela e observo minha mãezinha com a roupa de corrida pela abertura.
– Olá, mamãe. O que há?
– Deixei meu celular em teu quarto?
– Não, mamãe.
– Deixa de ser preguiçoso, você nem procurou. Deixa-me entrar.
– Não, mamãe, estou sem roupas.
– Daqui eu posso ver que estás de pijama.
– Ah, e não é que é mesmo? É que este é um pijama tão leve e confortável que me deste que às vezes acabo esquecendo que estou a usar roupas e...
– Deixa-me entrar – ela repete, forçando a porta.
Entro em pânico um pouquinho. Por mais que eu estivesse decidido a ignorar o nariz, duvido que minha mãe partilhasse desta decisão. Oh, minha pobre mãezinha, teria um treco ao olhar pra cima e ver um nariz bem no meio do leito do seu único filho.
Então a coisa mais surpreendente aconteceu: ao entrar no meu quarto, a primeira coisa que ela viu não foi a aberração a apenas alguns metros de sua cabeça, mas sim o celular dela jogado em cima da minha escrivaninha, em meio a um monte de tralhas.
– Como és preguiçoso. Não disse que estava aqui?
– Ah, me desculpa, juro que não tinha visto, mamãe. Deve ser olho materno. Sabes a senhora que eu não encontraria um elefante se a senhora o colocasse atrás da caixa de leite.
– Isso se chama preguiça. Bom, estou indo correr. Beijo.
– Beijo, mamãe.
E saiu.
Eu continuei no quarto. Eu e o nariz.
Então ele deu uma fungadinha.
Fung.Os primeiros dias foram particularmente traumatizantes. Não bastasse as noites em claro, as manhãs eram piores ainda: o nariz fungava e se contorcia quando a temperatura baixava. Várias vezes eu tentei ler um livro ou gibi, mas era impossível, pois toda vez que ele fungava eu perdia completamente a concentração, quando não a paciência. Às vezes, quando aquela chuvinha de fim de tarde caía, eu me deitava na cama e me preparava para cochilar, apenas para ser acordado de solavanco pois o nariz decidiu recomeçar o funga-funga.
Fung, fung, era o som.
Além disso, eu tinha vergonha do nariz. Eu pensava "se existe um nariz no teto, deve existir um olho em algum lugar." Então não conseguia de jeito nenhum trocar de roupa no meu próprio quarto. Logo eu, que gozava tanto de minha privacidade, me vi obrigado a tomar banho de sunga em minha própria casa. Sempre tive vergonha do meu corpo, então o que menos queria era um olho sem um observando minhas partes.
Aparentemente, ninguém mais via o nariz. As pessoas entravam no meu quarto, e todas lidavam com aquela situação ainda melhor do que eu. Minha mãe, meu padrasto, meus amigos. Aquele nariz enorme bem ali em cima simplesmente parecia não incomodar ninguém! Mesmo quando o nariz fungava, absolutamente ninguém dizia nada a respeito pois ninguém parecia ouvir. Pouco a pouco, fui começando a aceitar o fato de que eu estivesse, de fato, louco. Então eu não podia falar pra ninguém. Não podia contar pros meus amigos, não podia contar pro meu padrasto, não podia ligar pra polícia muito menos pra um mecânico. Às vezes eu me divertia sozinho imaginando as situações. "Alô, seu mecânico? Estou tendo um probleminha nasal aqui em casa. É, isso mesmo. Bom, é que tem um nariz brotando bem no meio do meu forro. Às vezes ele escorre, mas não é água, é muco mesmo. Será problema dos canos? Alô? Seu mecânico? Alô?"
Se falasse pra minha mãe, ela com certeza acharia que é algum tipo de brincadeira. Se eu insistisse, acharia que eu sou algum tipo de viciado em drogas e me daria uma surra que eu nunca mais esqueceria. Meu padrasto, então, poderia até me levar para o psiquiatra, apenas pra ter a chance de conseguir que eu fosse internado e assim, enfim, se livrasse de mim (e, consequentemente, meus custos). Meus amigos só reforçariam ainda mais a imagem que têm de mim de mentiroso. No final de todos dias, na escuridão do quarto, deitado na cama olhando pro teto, mais do que nunca, eu estava sozinho. Só eu via aquilo. Só eu ouvia aquilo. Era só eu. Eu e o nariz.
As semanas foram passando, e eu fui começando a me acostumar com ele. Meu quarto estava mais escuro e mais quente, mas por sorte eu tinha um ventilador comum e uma lâmpada que roubei da sala pra me fornecer luz à noite. Ignorar o nariz estava realmente fazendo efeito: eu ficava na minha, ele ficava na dele, e assim um não cruzava o caminho do outro. Eu aqui, ele lá em cima. E assim estávamos OK. O problema é que começamos a entrar na época das chuvas. Logo, houve o já esperado surto de gripe. Foi aí então que tudo desandou de vez.
Chovia, eu estava jogando videogame, sentado em minha cadeira logo abaixo dele, quando aconteceu. Não encontro onomatopéias que descrevam satisfatoriamente o som horrível que me fez saltar da cadeira, puxar o controle com força e, consequentemente, o videogame (pois o meu é um PlayStation 2, daqueles slim, então o controle ainda é ligado ao console por um fio), mas "POWWW" é o som do videogame indo de encontro ao chão, e "ARRGHHH" é o som que eu fiz quando minha roupa ficou toda encharcada.
O nariz ficou gripado.
Fiquei puto. Não "um tanto preocupado", não "chateado", e com certeza absoluta a coisa que menos me preocupava naquele momento era o videogame. Aquele nariz, aquele maldito nariz que acaba com a harmonia e decoração do meu quarto, que todos os dias eu acordo com os olhos fixos nele e tendo que fingir que não existe, que há alguns meses entrou na minha vida e no meu quarto da forma mais absurda e estúpida possível tinha acabado de ESPIRRAR em mim. Aquele nariz grande e feio e... inglês. Não sabia se ele tinha alguma genitora, e muito menos ainda gostaria de saber, mas no momento tudo o que eu conseguia pensar era: filho de uma puta.
Saí do quarto, fui direto para a parte de trás da casa, numa área no quintal que serve meio que como depósito. Estava puto, sangue fervia por todo meu corpo. Meu cérebro já havia oficialmente apresentado sua carta de demissão e passado o comando para o meu pâncreas, que é um órgão particularmente pavio curto (eu acho). Toda a raiva que tão insistentemente havia escondido durante todo aquele tempo, todo aquele ódio por aquela situação bizarra estar acontecendo, de todas as outras pessoas do mundo, justo comigo, toda a minha revolta parecia finalmente ter aflorado e tomado o controle do meu corpo. Eu já não era mais eu. Eu era puro ódio.
– O almoço já está pronto, Lucas.
– Oba, e o que vem a ser?
– Bife. Come agora enquanto ainda está quente, pois acabei de fazer. O arroz está na geladeira, na segunda prateleira. Te serve no teu prato e põe para esquentar no microondas.
– Que delícia, eu adoro o bife que a senhora faz, mamãe. E refrigerante, temos?
– Não, teu padrasto está a fazer as compras da semana neste momento.
– Poxa.
– Mas tem suco de garrafa, creio que que sobrou um bocadinho. Te serve lá.
– OK, mamãe.
Me servi, muito puto. Almocei, mais puto ainda. Coloquei minha louça na pia... meio puto só.
– Engraçadinho, lava tua louça que não tens empregada.
Lavei a louça, puto pra caralho.
Tendo terminado o almoço, segui meu caminho para o quintal. Encontrei o que procurava: a escada. Agarrei com as duas mãos, e fui levando de volta para o quarto. Ao passar pela cozinha, abri a gaveta sob a pia, a primeira. Ali ficava a louça. Peguei uma faca e segurei firme pelo cabo, então mudei de ideia e a devolvi. Abri a segunda gaveta, era onde ficavam as facas grandes. Peguei a maior delas e a que melhor expressasse "olha, cara, eu não estou pra brincadeira", pois eu realmente não estava. Subi as escadas com a faca no cós das calças e a escada nas mãos e voltei para o quarto. Posicionei-a bem abaixo do nariz (na verdade, mais para a direção das narinas). Subi os degraus e cheguei no topo dela.
E lá estava eu. De repente, um misto de ansiedade e nervosismo bateu como um vento frio dentro do meu corpo. Me toquei que, durante todo aquele tempo em que ele havia surgido no meu quarto, eu nunca o havia tocado. Na verdade, eu nunca havia estado tão perto do nariz o quanto estava agora. Meu plano era bem simples: eu esticaria o braço. Se minha mão parasse pelo caminho, então o nariz era real e eu o estaria tocando. Se não, se minha mão transpassasse ou o nariz sumisse, eu saberia que aquele tempo todo era apenas alguma obra doentia da minha mente distorcida. Então eu estiquei o braço. Estiquei e... a mão parou. Eu toquei o nariz. O nariz era real. Eu o sentia. Estava com a mão nele. Eu e o nariz.
O ar que o nariz expirava e inspirava mexia meus cabelos. Eles iam pra frente e pra trás. Eu não poderia estar imaginando aquilo. Também não podia mais ignorar aquilo. Todo aquele tempo eu virava para o outro lado, esperando que um dia, quando olhasse de novo, ele já não estivesse mais lá, e tudo fosse apenas mais um caso divertido e sem explicação da vida. Não era só um jeito de tentar enganar a si mesmo, mas um mecanismo pra salvar a minha sanidade. Quem sabe um dia escrever um conto sobre isso. Mas lá estava eu, tocando nele, era REAL. Não podia mais ignorar aquilo, era um problema, e era real.
Tirei a faca do cós da calça. A ponta tremia e reluzia enquanto a erguia sobre a minha cabeça com as duas mãos. Gotas de suor brotam da minha testa e logo são jogadas longe pelo ar que sopra violento do nariz. Dentro das narinas vejo os pêlos, e nada mais, a escuridão lá dentro parece não ter mais fim. Eu tinha que arrancar aquela coisa dali, não poderia viver com um nariz no meu teto a vida inteira. Não era normal. Quantas pessoas você conhece vivem com um nariz sobre a cabeça? Você já ouviu falar de pessoas que vivem com o nariz onde não são chamadas, mas não é tão literal quanto a situação que eu estava vivendo. Ou então pessoas sem nariz, o que... é bem mais triste. Pessoas que perderam partes do rosto em acidentes, ou até mesmo na guerra. Têm de fazer enxertos de pele, passar por dezenas de cirurgias. Sem falar na auto-estima da pessoa, que é arruinada. Lembro de quando eu era criança e minha tia Adriana fazia aquela brincadeira idiota de fingir que tirava meu nariz... aquilo me assustava de verdade. Não sei se conseguiria viver sem o nariz. Mas sei que não consigo viver com um nariz extra - e que nem meu é.
Mas bem, olha eu perdendo o ponto de novo.
Estou com a faca erguida sobre a minha cabeça, pronto pra desferir o golpe. Estou nervoso, minhas pernas também treme, a escada treme junto. Ergo mais alto ainda a faca, para então descê-la com maior impulso...
Golpeio o nariz.
Algo aconteceu. Foi como bater com a faca em um bloco de chumbo - pelo menos o som foi idêntico. Mas não apenas isso, eu voei. Sim, eu voei, meus amigos, mas não literalmente, infelizmente, pois seria muito legal. Fui jogado para trás com uma violência absurda. Caí no chão sobre as minhas costas, bati a cabeça feio contra a parede. Meu corpo foi para um lado, a faca para outro, a escada não soube se decidir por qual dos dois ir atrás então só caiu de lado mesmo.
Então, logo abaixo do nariz, uma boca começou a se formar. Depois, dois olhos. Já ouviram a expressão "olhos sem vida"? Não era esse o caso, esses aqui tinham até demais. Ambos me encarando.
Fiquei aterrorizado. Meu corpo queria ir para a direita, mas minha alma pra esquerda. Queria gritar, mas já não tinha voz. Fui tomado por um medo absoluto, como se cada célula do meu corpo gritasse em agonia.
Então, a Boca falou.
– não.
Uma voz grave, como se mil trovões se juntassem com mil vulcões entrando em erupção pra montar uma banda cover de Rammstein. Era como se gritasse ao mesmo tempo que falasse com uma calma absoluta.
Lutando contra cada um dos meus instintos, cujo melhor plano era fechar os olhos, se jogar pro lado e fingir de morto até aquele rosto ir embora, consegui falar.
– O q-quê?!
– não. não faça isso de novo.
– Q-quem é você?!
– eu sou Deus.
– Deus?! O que... você... o Senhor... está a fazer em meu teto?!
– dando uma volta, de bobeira. aparentemente eu não sou bem-vindo aqui mesmo, então vou embora.
– Eu... eu... o quê?!
– adeus.
E entrou pra dentro do teto, sumindo.
Depois disso, tudo o que lembro é de ter desmaiado. Ok, não lembro exatamente de desmaiar, porque você não lembra de desmaiar, você só... desmaia. Fecha o olho e abre em seguida e descobre que se passaram horas entre uma ação e outra. Quando você vê, já é noite, você está jogado no chão com uma faca e uma escada, olhando pra sua lâmpada balançando no teto conforme as hélices do seu ventilador giram.
Sorri.
Funguei.
Tentei me levantar do chão, mas não consegui.
Funguei de novo.
Estou colado ao chão. Não há mais nada que eu possa fazer. Aqui termina a minha história. Minha e do nariz. Eu e o nariz.
Eu sou um nariz.
Fung.